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Multimodalidade


De acordo com a Lei 9.611, de 19 de fevereiro de 1998, o transporte multimodal de cargas é aquele que, regido por um único contrato, utiliza-se duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é executado sob a responsabilidade única de um Operador de Transporte Multimodal. Essa operação compreende, além do transporte, os serviços de coleta, unitização, desunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga ao destinatário, entre outros serviços complementares à operação.

O decreto 3.411, de 12 de abril de 2000, e a Resolução 794, de 22 de novembro de 2004, da Agência Nacional de Transportes Terrestres dispõem sobre a habilitação do Operador de Transporte Multimodal.

Todos os estudos feitos até hoje mostram que os transportes são o principal custo logístico dentro da cadeia de abastecimento.

Por isso a modalidade tem sido apontada ao longo do tempo como promissora e com alto apelo ambiental. No entanto, pode-se dizer que o crescimento das operações, ocorrido desde a sua introdução até agora, é considerada inexpressiva face ao crescimento individualizado em relação a outros modais.

São muitas as vantagens que a multimodalidade pode oferecer como, por exemplo, a redução dos custos com fretes, redução de quebras ou perdas com o transporte e o aumento da escala de quantidades transportadas.

Essa modalidade pode prever a integração de vários modais (rodoviário-ferroviário, aquaviário-ferroviário, aquaviário-rodoviário e aéreo-rodoviário).

São muitas as opções de integração entre modais. Dentre as novidades ainda não muito difundidas está o rodo-trem, processo que elimina totalmente o transbordo. Essa opção consiste na adaptação de uma carreta que é transportada pelo caminhão e integrada, em determinado ponto, aos trilhos com apenas uma pequena alteração no sistema de rodagem. Esse sistema vem sendo testado por diversas empresas.

O sucesso desse conceito está condicionado no Brasil a modificação estrutural da matriz de transportes que atualmente está concentrada no modal rodoviário conforme demonstrado na figura 1.

Matriz dos Transportes Percentual de Participação
2006
Rodoviário 56
Ferroviário 24
Aquaviário 13
Aéreo e Dutoviário 4

É notório que os custos com transporte ferroviário e aquaviários são menores em relação ao rodoviário principalmente pela grande capacidade de movimentação.

Ao final da década de 90 foi elaborado pelo Ministério dos Transportes estudo que previa a introdução do conceito de corredores estratégicos de desenvolvimento que privilegiariam a multimodalidade, estabelecendo um conjunto de projetos que visava a melhoria de desempenho do sistema de transportes, notadamente para o segmento de commodities. Esse estudo concluía que a mudança na matriz dos transportes deveria sofrer alterações importantes até 2015. De acordo com esse estudo o transporte rodoviário deveria representar cerca de 25% e o ferroviário 65% da matriz de transportes.

A figura 2 demonstra desde então a comparação da matriz de transportes existente em 1998 e a atual.

Matriz dos Transportes Percentual de Participação
  2006 **1998
Rodoviário 59 62,6
Ferroviário 24 19,9
Aquaviário 13 12,8
Aéreo e Dutoviário 4 4,7

Como se vê a modificação desse panorama foi inexpressiva em oito anos.

A caminhar nesses passos o país precisaria ainda de muito tempo para que a matriz de transportes chegasse aos níveis de infraestrutura ideais para que a multimodalidade pudesse evoluir a níveis desejados.

Ao longo de todo esse tempo o desempenho desse subsegmento da logística não foi o esperado por todos aqueles que apostaram no negócio.

Desde a introdução legal do subsegmento até a presente data apenas 102(*) empresas se habilitaram junto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a prestar serviços de transporte multimodal, o que pode ser considerado muito pouco. Boa parte dessas empresas habilitadas (80%), estão sediadas em São Paulo e Rio de Janeiro. Cabe aqui ressaltar que é no interior do país onde se encontraria a maior facilidade para implantação de modalidade motivada principalmente pela grande concentração da agricultura e a fatores como, por exemplo, as bacias hidrográficas.

E a explicação é simples. O baixo volume de investimentos por parte dos governos e projetos mal estruturados ao longo do tempo inviabilizaram a expansão dos negócios. A disputa fiscal entre Estados também contribuiu para o fraco desempenho da multimodade. Estes fatores, dentre outros, comprometeram a médio prazo o desempenho da multimodalidade.

Atualmente vê-se o despertar do assunto. Instituições privadas, que continuam apostando na exploração do negócio, fazem investimentos importantes para a melhoria, principalmente, da estrutura com o objetivo de buscar a eficiência. Ao Governo cabe a revisão de todos entraves fiscais e estruturais existentes, a preparação de planejamento de curto, médio e longo prazos e a contrapartida com investimentos para tornar o país moderno e competitivo.

(*) dados de 2006 ANTT * Artigo divulgado em diversos sites especializados

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